A chegada ao Porto marcou o início de uma análise profunda sobre o património. No Museu Nacional Soares dos Reis, a arte portuguesa foi o ponto de partida para discutir a evolução estética nacional. O grupo seguiu para o Jardim do Palácio de Cristal. A tarde foi dedicada à densidade histórica da Cadeia da Relação, espaço de opressão que hoje se converteu em centro de luz e fotografia, permitindo-nos refletir sobre a dualidade da justiça em Portugal. A subida à Torre dos Clérigos ofereceu uma perspetiva sobre a geografia urbana, antes de uma incursão pela Baixa noturna, momento em que se testemunhou a vitalidade sociológica da cidade contemporânea.
O segundo dia começou com a travessia da Ponte Luís I. Caminhar sobre aquela estrutura de ferro permitiu-nos contemplar o Rio Douro, percebendo como a geografia ditou o destino comercial da região. Ao regressarmos à margem direita, iniciámos a nossa subida pela história da cidade com paragem na Sé Catedral. De seguida mergulhamos na autenticidade do Mercado do Bolhão e seguimos para a elegância da Rua de Santa Catarina. Ao entrar no Café Majestic, sentimos que recuamos aos tempos da Belle Époque; é fácil imaginar ali os encontros intelectuais que moldaram o pensamento do século XX. O percurso culminou na Estação de São Bento, onde ficámos a "ler" os azulejos de Jorge Colaço.
Regressamos às 18:30 do dia 17, cansados, mas com uma visão muito mais integrada do que é ser português. Esta viagem permitiu-nos fazer a intertextualidade que tanto nos pedem nos exames, ligámos a arquitetura da Sé à literatura camiliana, e a azulejaria de São Bento à História que nos define.
O Porto revelou-se como uma cidade de contrastes, entre o luxo do Majestic e o pregão do Bolhão, a verticalidade dos Clérigos e a serenidade do rio. Para nós, alunos do 12.º ano, foi a oportunidade perfeita para perceber que o conhecimento não está fechado em livros; está vivo, gravado no granito e nas gentes da Invicta.
Maria Carvalho, Maria Morgado e Tiago Porfírio (12.ºCS e 12.ºCT)